NOTÍCIAS - GAMES NEWS INFORMA

 

A legalização dos jogos

 


Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves*

 

Tornou-se habitual as autoridades fecharem bingos e casas de jogos. Seus operadores escudam-se em entidades esportivas e liminares para conseguir mais algum tempo de atividade. Em alguns casos, as entidades de aporte nada têm a ver com a localidade de operação. São apenas subterfúgios. Ao mesmo tempo em que proíbe os jogos ditos “de azar”, o próprio governo, contraditoriamente, movimenta milhões em diferentes loterias, e jamais conseguiu eliminar o jogo-do-bicho, proscrito legalmente desde 1946 e movimentado na maioria dos casos pelo crime organizado.
As megaoperações contra bingos e casas de jogos acabam por surpreender senhoras idosas e outras pessoas inofensivas à sociedade que, no passado, foram incentivadas à prática pelo próprio governo e ali comparecem buscando lazer e até algum lucro, que pode ser ilusório. É a mesma clientela do jogo-do-bicho e, inclusive, dos jogos oficiais, que formam o “Cassino Brasil”. A incapacidade dos sucessivos governos para coibir a jogatina, capitulada como contravenção penal no decreto nº 9215, de 30/04/1946, chega a sugerir conivência e suspeição das autoridades, na maioria dos casos, indevida. Favorece, inclusive, a criminalidade, já que o setor se torna marginal.
Já que o jogar, pelas diferentes modalidades, é algo arraigado ao ser humano e particularmente à alma do brasileiro, seria interessante parar com a hipocrisia. Se em mais de 60 anos de proibição, o país não foi capaz de eliminar a prática – hoje, além dos bingos, freqüentemente também se encontram cassinos clandestinos – melhor seria permiti-la com legalização e controle.
Assim como as loterias oficiais geram renda para a assistência social e pagam impostos, o mesmo ocorreria com os bingos, cassinos e bancas de jogos-do-bicho ou outras modalidades permitidas em lei. Os agenciadores não seriam mais equiparados a criminosos (que têm de fugir da polícia) e se incluiriam no mercado de trabalho, recolhendo contribuições previdenciárias, pagando os tributos e gerando empregos honestos.
Com a mudança da abordagem, o governo afastaria as organizações criminosas, que ganham rios de dinheiro na atividade ilegal, e promoveriam uma grande inclusão social e profissional. Além disso, acabaria com a corrupção que só existe por conta do proibido.
O propósito que levou à proibição dos jogos não se cumpriu. A população continuou jogando tanto ou mais que antes. Ficando operacionalmente fora da atividade, o Estado apenas cede espaço para o crime organizado, com uma série de nefastos efeitos colaterais. Para evitá-los, só reassumindo o setor e conferindo-lhe a regularidade e a fiscalização que só a máquina oficial é capaz de oferecer...

(*) Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo - Aspomil (aspomilpm@terra.com.br) - Veiculado no Jornal Agora - O Jornal do Sul - Rio Grande - RS.


 

 

Copyright 2002 - 2006 SALEX - Todos os direitos reservados. All rights reserved.