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Presidente da Abrabin diz ser a favor da fiscalização e do controle sobre os bingos, mas diz que ação de “oportunistas” manchou imagem do jogo

 


Olavo Sales da Silveira

 

A intenção do governo de criar um projeto de lei para finalmente legalizar os bingos foi bem recebida pela Associação Brasileira dos Bingos (Abrabin). A entidade, porém, não concorda com idéia de que a imagem dos bingos está associada ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, como avalia o governo.

“Existe um exagero nessa percepção sobre a imagem ruim dos bingos”, diz Olavo Sales da Silveira, presidente da Abrabin. Em sua perspectiva, só a parte ruim do que fizeram “alguns empresários oportunistas” virou notícia. “A percepção é de que todos os bingos têm uma parede falsa escondida”, afirma.

Proposta

Olavo Silveira a firma que o projeto de lei que o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) está elaborando vai pelo caminho certo. Segundo ele, a Abrabin concorda com a proposta de devolver 90% da aposta em prêmios, restando 8% para a casa de jogos e 2% para o fisco . “Isso não vai diminuir a margem do lucro nem a arrecadação de impostos, mas fará apenas o apostador jogar por mais tempo, o que é bom para o negócio”, afirma.

Para Silveira, é importante que a Receita Federal reconheça a figura do giro de apostas, valor virtual obtido pela somatória de todas as apostas do dia, maior que o dinheiro efetivo em circulação nos bingos.

Ele explica que alguns órgãos fiscalizadores faziam o cálculo com base nessa soma, ignorando o fato de que grande parte do dinheiro era devolvida aos apostadores em forma de prêmio, e reinvestida no jogo, ampliando o giro de apostas.

O princípio é o mesmo de um jogo de cartas com dois apostadores, no qual cada um tem R$ 200. Se na primeira rodada cada um aposta R$ 100, na segunda, R$ 75, e na terceira, R$ 50, o giro de apostas é de R$ 450 reais (R$ 200 da primeira somados aos R$ 150 da segunda e R$ 100 da terceira) enquanto o valor real é de R$ 400, a quantia que ambos tinham juntos no início do jogo.

“Se o governo quiser taxar o giro de apostas, vai recolher mais dinheiro do que o que realmente existe, o que é inconcebível”.

A proposta de que um órgão federal controle a emissão das cartelas também é aprovada pela Abrabin. “É uma forma de o governo mostrar para a sociedade que está preocupado, e ser fiscalizado e controlado é uma necessidade para o mercado dos bingos”, diz.

Segundo Silveira, o governo está percebendo que sua posição de manter os bingos na ilegalidade era "isolada no continente”. “Se houver vontade política, como parece existir agora, a questão dos bingos vai ser resolvida”, diz. (Revista Época - José Antonio Lima)


 

 

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