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Bingo: teste para a base aliada

Ministro José Múcio Monteiro pretende levar o tema à discussão no Conselho Político do governo e analisar o apoio a uma proposta de regulamentação

 

 


José Múcio Monteiro

 

Pressionado por movimentos sindicais para articular com o Congresso Nacional a aprovação de uma proposta que regulamente os bingos, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, decidiu dividir a responsabilidade e levar o assunto para ser discutido pelo Conselho Político do governo federal. “Quero levar o tema para o debate. A matéria é polêmica, mas tem de ser resolvida logo. Para isso, é preciso que haja o envolvimento de todos”, disse o ministro, que ainda não decidiu se colocará o assunto na pauta de discussão da próxima reunião do grupo.
A estratégia de José Múcio não só abre espaço para o debate em torno do tema —– que ficou sob o olhar desconfiado da sociedade depois do escândalo envolvendo o ex-funcionário da Casa Civil Waldomiro Diniz —, como repassa para os parlamentares a responsabilidade de encabeçar a campanha pela proposta. Na prática, o ministro pretende iniciar as discussões e analisar os ânimos dos integrantes da base aliada que compõem o Conselho Político. Se avaliar que a tendência é de apoio à idéia, Múcio repassa a articulação da matéria para o Congresso e passa a agir como coadjuvante nas negociações.
Apesar da intenção do ministro de debater o tema antes de o governo entrar na campanha pela regulamentação ou decidir por arquivar o assunto de uma vez, é consenso entre governistas que a regulamentação dos bingos interessa ao Planalto. Por dois motivos: além do impacto eleitoral que a decisão pode ter (milhares de trabalhadores aguardam a legalização), há o aspecto financeiro e tributário que a decisão trará consigo. Segundo estimativas de sindicalistas, somente por meio da arrecadação de impostos os bingos renderiam mais de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.
A equipe do Planalto que analisa a proposta já realizou estudos referentes a outros países e percebeu que o destino dos recursos varia conforme a região. Na Irlanda, por exemplo, a arrecadação por meio de jogos serve para realizar projetos que beneficiam deficientes físicos, enquanto nos Estados Unidos é destinada à saúde.
No Brasil, a idéia inicial é de que os recursos arrecadados com os bingos sejam revertidos para a área do esporte. Apesar dos atrativos tributários, os governistas pretendem discutir a regulamentação do jogo com cautela.
Por isso querem, conjuntamente com sindicalistas e parlamentares, elaborar uma proposta que legalize inicialmente apenas as cartelas. Tanto cuidado se deve ao temor de que as articulações sofram analogias ao episódio de 2005, quando o ex-assessor da Casa Civil da Presidência Waldomiro Diniz foi acusado de extorquir empresários do ramo de jogos para arrecadar dinheiro para o PT.

Previsão
320 mil é o número de empregos diretos e indiretos gerados pelo setor de jogos de azar
R$ 2,5 bilhões é a estimativa de arrecadação do governo depois da regulamentação dos bingos


Memória: Polêmica antiga

Os bingos começaram a interessar ao governo em 1993, quando uma lei instituiu a modalidade de jogo como fonte de recursos financeiros para aplicação no fomento ao desporto. No entanto, a falta de regras e de estrutura resultou na suspensão das autorizações para o funcionamento dos estabelecimentos.
Para resolver a situação, um decreto foi publicado em 2000, definindo a exploração do jogo como serviço público e de competência da União, que seria executado direta ou indiretamente pela Caixa Econômica Federal em todo território nacional.
As regras funcionaram normalmente durante dois anos, até que o homem de confiança do então ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, foi denunciado por negociar com bicheiros o favorecimento em concessões de casas de jogos, em troca de propinas e contribuições para campanhas eleitorais do PT. A chantagem foi gravada pelo empresário do ramo dos jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
O escândalo resultou na abertura da CPI dos Bingos no Congresso, que teve como relator o atual presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Em reação à crise, o governo federal editou uma medida provisória determinando a proibição do funcionamento de casas de jogos de azar no Brasil. A decisão revoltou funcionários do setor e empresários, dando início a uma chuva de liminares na Justiça.
Em maio do ano passado, o plenário do Senado Federal mandou arquivar a medida provisória e derrubou a proibição. Depois disso, dezenas de projetos foram apresentados pelos parlamentares visando a regulamentar a atividade.
Em 2005, o governo iniciou as discussões com sindicalistas para debater as regras de funcionamento das casas de jogos de azar. Este ano, o ministro das Relações Institucionais José Múcio Monteiro começou a discutir as regras tributárias, fiscais e trabalhistas para regulamentar a atividade. (Correio Braziliense - Izabelle Torres)

 

 

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