São
muitas as indecências neste país. Entre todas
uma das mais aberrantes é a indecente proibição
ao jogo, atividade regular e aceita culturalmente em praticamente
todo o mundo civilizado do Ocidente ao Oriente.
Faço-me a pergunta: há chance de aparecerem
neste país estadistas com coragem e honestidade para
legislar de forma menos hipócrita e menos indecente
sobre o jogo?
Há alguma possibilidade de contarmos com representantes
que tenham coragem de aprovar, sancionar, promulgar leis
que acabem com essa proibição indecente?
Indecente, repito, a proibição, porque obriga
empresários a viver em constante insegurança
e, para trabalhar, serem obrigados a se submeter ao achaque
e à extorsão explícita e tabelada por
parte de policiais e políticos.
Indecente a proibição porque põe continuamente
em risco o emprego de centenas de milhares de trabalhadores.
Indecente porque tira do cidadão uma opção
de lazer que, como já disse, existe em praticamente
todos os países civilizados deste mundo.
Indecente porque considera os brasileiros, os cidadãos
brasileiros que trabalham, produzem e pagam escorchantes
impostos, como se fossem todos débeis mentais, viciados
compulsivos que jogariam até perder a camisa do corpo.
É, no mínimo, indecente e ofensivo.
Indecente o espetáculo policial para programas dominicais
de grande audiência – uns, de um lado, prendendo
e algemando, outros, de outro lado, recebendo grana, ou,
ao menos, “supostamente” recebendo grana...
Indecente também, além da proibição
é o pseudomoralismo reinante na mídia. Respeitáveis
jornais, que fizeram história como paladinos da liberdade,
defendem abertamente essa limitação à
liberdade e se referem a empresários e a um ramo
inteiro de atividade como se todos fossem bandidos, como
se houvesse de fato alguma máfia. Invenções
que não fazem mais que desinformar e alimentar mitos.
É indecente.
Indecente é a postura de legisladores que se recusam
a legislar. Há no Congresso Nacional projetos de
lei sobre o jogo juntando poeira há anos e anos,
mas todos preferem “deixar tudo como está”.
Afinal é mais “rentável” deixar
um ramo inteiro na corda bamba e, de vez em quando, balançar
um pouco essa corda em troca de alguns favores, mas isso
talvez seja só uma suposição indecente
de minha parte...
|