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INDECÊNCIA

 

 


Luiz Angelo Pinto

 

São muitas as indecências neste país. Entre todas uma das mais aberrantes é a indecente proibição ao jogo, atividade regular e aceita culturalmente em praticamente todo o mundo civilizado do Ocidente ao Oriente.
Faço-me a pergunta: há chance de aparecerem neste país estadistas com coragem e honestidade para legislar de forma menos hipócrita e menos indecente sobre o jogo?
Há alguma possibilidade de contarmos com representantes que tenham coragem de aprovar, sancionar, promulgar leis que acabem com essa proibição indecente?
Indecente, repito, a proibição, porque obriga empresários a viver em constante insegurança e, para trabalhar, serem obrigados a se submeter ao achaque e à extorsão explícita e tabelada por parte de policiais e políticos.
Indecente a proibição porque põe continuamente em risco o emprego de centenas de milhares de trabalhadores.
Indecente porque tira do cidadão uma opção de lazer que, como já disse, existe em praticamente todos os países civilizados deste mundo.
Indecente porque considera os brasileiros, os cidadãos brasileiros que trabalham, produzem e pagam escorchantes impostos, como se fossem todos débeis mentais, viciados compulsivos que jogariam até perder a camisa do corpo. É, no mínimo, indecente e ofensivo.
Indecente o espetáculo policial para programas dominicais de grande audiência – uns, de um lado, prendendo e algemando, outros, de outro lado, recebendo grana, ou, ao menos, “supostamente” recebendo grana...
Indecente também, além da proibição é o pseudomoralismo reinante na mídia. Respeitáveis jornais, que fizeram história como paladinos da liberdade, defendem abertamente essa limitação à liberdade e se referem a empresários e a um ramo inteiro de atividade como se todos fossem bandidos, como se houvesse de fato alguma máfia. Invenções que não fazem mais que desinformar e alimentar mitos. É indecente.
Indecente é a postura de legisladores que se recusam a legislar. Há no Congresso Nacional projetos de lei sobre o jogo juntando poeira há anos e anos, mas todos preferem “deixar tudo como está”.
Afinal é mais “rentável” deixar um ramo inteiro na corda bamba e, de vez em quando, balançar um pouco essa corda em troca de alguns favores, mas isso talvez seja só uma suposição indecente de minha parte...

 

 

 

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